Equilíbrio é tema central de campanha para consumo consciente do açúcar

Além de conferir sabor às receitas o açúcar controla a umidade e evita a proliferação de reações químicas e bactérias, o que ajuda a preservar os alimentos

Debates sobre alimentação pautados especialmente pelo aumento da população acima do peso incentivam a busca pela adoção de hábitos saudáveis. Neste contexto, orientações sobre como reduzir o consumo de açúcar possivelmente lidere entre recomendações para perder os quilinhos a mais e ter uma vida mais saudável. Mas seria o açúcar o verdadeiro vilão?

Pensando em equalizar o debate sobre o açúcar como componente que pode fazer parte de uma vida saudável, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) lançou a campanha “Doce Equilíbrio”. A iniciativa visa promover a informação sobre o equilíbrio na alimentação e estilo de vida, e tem na educação para o consumo consciente do açúcar sua maior aposta.

Além de simplesmente adoçar, o açúcar tem um papel importante tanto nos produtos industrializados como nos preparos caseiros. De acordo com a UNICA, o ingrediente é um dentre muitos que não precisam, necessariamente, ser substituídos. Antes, é preciso entender as quantidades ideais que podem ser consumidas dentro de um estilo de vida equilibrado e que promovam uma alimentação diversificada, aliando nutrição ao prazer.

Função do açúcar

De acordo com a nutricionista Marcia Daskal, o açúcar tem mais de um papel importante nos alimentos, indo além do adoçar. “Além do sabor, ele confere textura (corpo), combate a acidez e interage com outros ingredientes. No caso de um bolo, por exemplo, ajuda a massa crescer, além de ter o efeito de caramelar e dar cor”, conta a nutricionista. A adição de açúcar contribui com o controle da umidade do alimento e torna a água indisponível para microrganismos, como bactérias, e reações químicas, como fermentação indesejada e bolor, ajudando na preservação dos alimentos e realçando seu sabor por um tempo maior.

“De fato, salgar e adoçar os alimentos, fazendo geleias, compotas e conservas, sempre foi uma estratégia de preservar e aumentar sua durabilidade. Basta pensar no tempo de duração de uma fruta, como o morango, e da geleia de morango. Ou da goiaba e uma goiabada, da banana e da bananada, assim por diante. Isso é especialmente importante para alimentos industrializados, que têm maior durabilidade”, explica Marcia.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar defende, ainda, que ao interagir com outros elementos, como água, fermento ou farinha, o açúcar dá consistência, densidade, cor ou aparência à receita, garantindo a textura de preparos, como sorvetes. Suas propriedades também influenciam em fermentações, acelerando o tempo de cozedura, e congelamentos, retardando o tempo do processo para que não haja uma formação excessiva de cristais de gelo. Por fim, o ingrediente também pode ser usado para intensificar ou atenuar o sabor de alimentos muito salgados ou ácidos, equilibrando o paladar.

“Estas caraterísticas tornam o açúcar um ingrediente muito difícil de substituir. Se você vai fazer um bolo, não basta substituir a mesma medida pelo correspondente em adoçante – o bolo não vai crescer tanto, não vai ter a mesma textura, a mesma cor, nem o mesmo sabor. Nos refrigerantes, há um mínimo de açúcar necessário para conferir a textura do produto, e no caso das geleias sem açúcar, por exemplo, são usados sucos de frutas, ricos em frutose”, ressalta Marcia Daskal.

Em produtos industrializados, a ausência de açúcar esbarra em outras questões importantes, como a garantia de segurança do alimento. Nesse caso, o desafio está em mudar um produto sem descaracterizá-lo. “Para isso, por exemplo, é comum a adição de outros tipos de agentes adoçantes, agentes de preservação (como anti-umectantes, conservantes e etc.) e até corantes, o que mostra que apesar da redução de açúcar, o produto não se torna necessariamente mais saudável”, revela Márcia.

Consumo consciente do açúcar 

Ainda de acordo com a UNICA, a indústria colabora com menos da metade do açúcar consumido pelo brasileiro, já que a maior parte é ingerida em casa, principalmente ao adoçar bebidas como chá e café. Esse dado indica que o consumo individual é exagerado, o que revela a necessidade da mudança de hábitos para escolhas mais conscientes nas refeições. 

Marcia Daskal afirma que a discussão é essencial e não pode ser feita de maneira simplificada. “É importante lembrar que medidas restritivas, incluindo a taxação e a própria substituição do açúcar geram repercussão, mas não têm comprovação de resultados efetivos. Mais importante que mudanças no curto prazo é a educação do consumidor. E isso só se consegue com informação”, conclui.

Com raras exceções de agentes externos, os responsáveis pelo desequilíbrio do nosso corpo somos nós mesmos. Portanto, cuidemos com zelo da nossa saúde, evitando os exageros principalmente no consumo dos alimentos.

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