Difamação e calúnia na rede: os perigos de compartilhar notícias falsas

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Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Romanos 14:13

O ser humano é fascinado pelo desconhecido, pelo novo. De fato, nossa natureza caída e deteriorada parece constantemente clamar por algo que satisfaça nossos anseios mais profundos por amor, justiça, entre outros elementos falhos em nós e em nossos semelhantes.

Em meio a esse viver confuso e pecaminoso, quando surge uma aparente oportunidade de contribuirmos para que as coisas sejam um pouco melhores, aquele clamor dos nossos anseios profundos fala mais alto e nos conduz a atitudes precipitadas. Na ânsia por querer compartilhar algo que possa ajudar alguém, mesmo não intencionalmente, corremos o risco de difamar e caluniar na rede. A seguir, vamos refletir sobre o assunto e entender nossa responsabilidade pessoal para reduzir o risco de prejudicar pessoas.

Cuidado: cheiro de notícia falsa no ar

A fofoca (falar sobre o outro sem seu consentimento), calúnia (acusação falsa, mentirosa) e difamação (tornar público algo que faça a pessoa perder sua boa fama) são males intimamente ligados ao julgamento. Essas práticas são exaustivamente apresentadas na Bíblia como impróprias e pecaminosas (Ef 4:25; Tg 4:11; 1 Co 11:31; Jo 8:15; Lv 19:16; Pv 6:19; Pv 19).

Todos os dias, somos bombardeadas com mensagens virais. Caso não saiba, viral pode ser definido como um conteúdo, seja ele composto apenas por palavras e/ou imagens, com teor altamente relevante para a sociedade ou apelo emocional que mexe com as pessoas a ponto de fazê-las compartilhá-lo.

Lembram-se daqueles anseios profundos que mencionei no início do texto? Quando você recebe uma imagem de um suposto pedófilo supostamente foragido, com telefone, foto e tudo mais, o que você faz? E quando você recebe a imagem de uma suposta dona de um cachorrinho que estaria supostamente sendo maltratado, o que você faz? Ou, ainda, quando você recebe a foto de uma suposta madrasta que abusaria fisicamente do enteado com a prática de rituais ocultos, o que você faz? Compartilha na mesma hora para o máximo de pessoas possível afinal, tratam-se de supostos criminosos da pior espécie?

Agora pense: e se a pessoa for inocente? E se a história não passar de uma calúnia motivada por vingança?

Se você não pensou nisso e compartilhou sem ter a certeza dos fatos, você pode ter fortalecido uma calúnia por meio da difamação. A imprensa já noticiou diversos casos de pessoas que foram publicamente linchadas e perseguidas injustamente por serem vítimas de difamação. Que tiveram suas vidas manchadas e destruídas pela irresponsabilidade de multiplicadores de mentiras.

Então, você deve estar se perguntando: Elaine, como não se deixar levar por falsas informações? O que fazer?

Se você chegou até aqui já fico muito, mas muito contente. Isso significa que, de alguma forma, esse conteúdo te fez refletir. Meu desejo é que a partir de agora você possa ao menos permitir que a dúvida quanto à veracidade de um viral te faça ponderar se é prudente ou não o compartilhar. Para tornar a reflexão um pouco mais prática, separei algumas dicas que podem te ajudar na tomada de decisão.

Consulte o Google

Antes de encaminhar, dê um simples “Google” e verifique os resultados que aparecem sobre o assunto em fontes oficiais como associações, órgãos públicos (o Ministério da Justiça disponibiliza o Sinesp Cidadão para consulta de mandados de prisão e pessoas desaparecidas, por exemplo) e imprensa (Estadão, UOL, Folha…). Mesmo que haja menção na Internet, existem INÚMEROS portais que vivem de sensacionalismo e mentiras, portanto, só confie em fontes mais seguras.

Pergunte a quem compartilhou qual é sua relação com a pessoa denunciada/procurada

Você conhece essa pessoa? A pessoa que te mandou essa informação conhece essa pessoa? E a pessoa que mandou a informação para a amiga da sua amiga que recebeu a informação, conhece essa pessoa? Nesse caso, já deu para perceber que teremos dificuldade em verificar a fonte, o que aumenta os riscos de calúnia.

Incentive a parte prejudicada a formalizar sua queixa junto às autoridades competentes

Se a denúncia tiver indícios contundentes de veracidade, incentive a parte prejudicada a entregar suas provas às autoridades que podem solucionar o caso. Afinal, todos deveriam ser suspeitos até que se prove o contrário.

Seja um agente de mudança

Sempre que constatar que uma informação é inverídica ou, ainda, uma situação potencialmente inverídica, alerte seus grupos e os incentive a não compartilhar.

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