Lidando com um Peter Pan e sua síndrome de não querer crescer

Recentemente tive a oportunidade de assistir ao musical Peter Pan. A história leve e repleta de personagens infantis arrancou gargalhadas não somente das crianças mas de muitos adultos que ali estavam, inclusive as minhas. Até o momento em que algumas características da relação Wendy e Peter me chamaram a atenção.

A trama lúdica e o literal voo dos personagens a uma terra distante onde é possível permanecer criança para sempre, nos convida a fazer uma pausa em nossa dura rotina. De fato, todos precisamos voar pra longe das responsabilidades da vida adulta de vez em quando, fazendo uma pausa para o descanso. O próprio Deus, após trabalhar seis dias na criação do mundo, descansou ao sétimo (Gênesis 2:2). 

Na Terra do Nunca, Peter Pan morava com outros meninos, chamados “meninos perdidos” que, assim como o protagonista, gostavam de permanecer criança. A história não deixa claro há quantos anos Peter vivia naquela condição, mas logo é possível descobrir que aquilo poderia mudar, se ele desejasse. Bastava uma decisão pessoal.

Sempre ouvi que as meninas amadurecem mais depressa que os meninos. Nessa história, a personagem Wendy evidencia isto. A menininha de cabelos enrolados aceita, ao lado de seus dois irmãos menores, a aventura oferecida por Peter, que bateu à sua porta, ou melhor, à sua janela. Na Terra do Nunca, ela brincaria de ser mãe dos meninos perdidos – desde que Peter entrasse na brincadeira como o pai. E assim, mantendo a pureza das crianças, seguiam em seu mundo encantado, ouvindo as diretrizes de sua nova mãe que os ajudava a por ordem na casa, além de compartilhar lindas histórias antes do soninho. Nesse meio tempo, vez ou outra, Wendy pedia um beijinho a Peter, que desviava do assunto, parecendo não entender do que se tratava o pedido.

De repente, meu olhar de mulher crescida entrou em cena. Ainda durante o musical, o riso deu lugar a um ligeiro relaxamento da minha face. Aquelas coisas não acontecem só no mundo da fantasia! Aqui, no nosso mundo real, a “síndrome do Peter Pan” existe. E é mais comum do que se imagina.

Síndrome de Peter Pan

Antes de começar a escrever este texto, fiz uma enquete lá no Instagram perguntando quantas mulheres já haviam se envolvido emocionalmente com alguém com as características de Peter. O resultado foi que 5 em cada 10 já passaram por tal experiência. Além disto, também fiz uma breve busca pelo que entendi ser um problema comportamental. De fato, profissionais que estudam a saúde emocional encontram no personagem características que podem ser observadas em alguns homens na atualidade, dentre as quais destaco inabilidade para construir um relacionamento estável e medo de assumir responsabilidades.

Infelizmente, Wendys sonhadoras como eu e você podem se deixar levar pela energia vibrante, papo agradável e mente brilhante de um menino perdido. Ele se aproximará de você e vai querer estar sempre por perto, mas sem assumir um compromisso. Quando você percebe, está emocionalmente envolvida em um mundo de faz de conta que nunca se tornará realidade.

Como lidar com um Peter Pan

Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Romanos 7:19

Infelizmente, nossa inclinação para as coisas da carne nos torna vulneráveis tanto para sofrer as consequências do pecado cometido contra nós como daqueles que cometemos contra nosso próximo. Por isso, precisamos olhar para as pessoas com olhar de misericórdia, como Jesus nos ensinou, assumindo de maneira sábia nosso papel para ajudá-las.

Nem todos estão preparados para assumir um relacionamento. As razões são inúmeras, e não cabe discorrê-las  aqui. Embora possa ser questionada de maneira amorosa, é fundamental que essa verdade seja aceita para que, assim como Wendy, você tome uma decisão [SPOILER]: seguir voando na Terra do Nunca ou voltar à realidade em terra firme. Vitimação por si só não é o caminho. Debaixo de muita oração, a decisão é sua.

Embora as mulheres, em geral, tenham a tendência de resolver e tomar a frente de uma situação diante da passividade alheia, isto se torna potencialmente destrutivo quando se trata do relacionamento com um homem que demonstra imaturidade para assumir um compromisso.

Meninos perdidos precisam da ajuda de homens crescidos e não de meninas que querem brincar de mãe

É preciso dar espaço para que o menino perdido encontre o caminho a ser seguido junto com homens maduros, e não sob suas orientações. Isto porque, ao contrário do homem, que é mais atraído pelo que vê, a mulher é mais atraída pelo envolvimento emocional. Assim, cuidado! Seguir cultivando o relacionamento com um homem que não assume um compromisso na esperança de que ele se torne seu futuro cônjuge pode te frustrar profundamente.

Embora nem todo conto tenha o final feliz que a gente deseja, em Deus todas as coisas são possíveis. Com os pés no chão, nunca deixe de sonhar. 

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9

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Defraudação ao próximo


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