Um devocional sobre amor ao próximo

*Por Fabiana Sommerfeld

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; Lucas 10:33

Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna? “. “O que está escrito na Lei? “, respondeu Jesus. “Como você a lê? “. Ele respondeu: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá”. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo? “. Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: ‘Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’. “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? “. “Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”.

Nos dias de hoje, ninguém pode dizer que não tem uma Bíblia para ler – pelo menos aqui no Brasil. Existem tantos aplicativos para celular e tantas versões disponíveis na Internet que, por vezes, nos deixam confusos e até perdidos. Em contrapartida, alguns aplicativos fornecem sugestões de leitura baseadas em temas, em datas comemorativas, entre outros. E foi em um dias desses que recebi a sugestão do tema acima.

O texto de Lucas é bem claro a respeito do amor ao próximo. Nessa passagem, Jesus nos ensina que não importa quem seja o nosso próximo, ele precisa e deve ser amado. Porém, aquela célebre frase clichê se torna bem oportuna: é fácil amar o próximo que está bem próximo de mim, especialmente se for uma pessoa legal, que sempre me ajuda, que me põe pra cima e me concede as melhores oportunidades.

Mas e o próximo que não te ama, que fala mal de você, que tenta “puxar o seu tapete” no ambiente de trabalho, que rouba seus pertences, sequestra sua família? Ele não precisa ser amado?

Demonstrar amor não é tão difícil quanto viver em amor. A demonstração do sentimento de amor pode ser facilmente confundido (ou substituído) por compaixão. Mesmo em meio as mágoas e dores, todos nós podemos ser tocados por um sentimento de piedade por alguém numa situação difícil e acabar por dar uma trégua ao sentimento ruim. Mas isso não acontece com o verdadeiro amor. Amar é um verbo, uma ação, uma escolha, uma decisão. Aquele samaritano não apenas demonstrou compaixão, ele demonstrou amor. Acolheu, cuidou, zelou, tal qual vemos – geralmente em casamentos – no texto de I Corintios 13.

O amor daquele homem não buscou seus próprios interesses, mas sim, o bem estar do próximo.

Em Gálatas 5:22, ao começar a falar dos frutos do espírito, o primeiro que Paulo cita é o amor. Ora, se o amor é a primícia das nossas vidas – até porque, foi por amor que Jesus morreu para nos salvar -, porque insistimos em amar somente quando não nos resta outra alternativa? Parece até um castigo!

Se amar o próximo fosse algo tão pesado, Deus não nos teria amado tanto, tampouco deixaria tantos exemplos e lições a respeito do tema. O que torna o amor pesado e difícil de ser praticado é o nosso ego inflado, os nossos achismos da vida, nosso coração pecaminoso, que insiste em querer honras para nós, que quer ser amado sobre todas as coisas.

Que possamos ter corações sinceros, humildes, piedosos e dispostos a amar o nosso próximo em todo o tempo, não importando as circunstâncias. Que ao cantarmos “ensina-me a amar ao meu irmão”, o façamos com toda sinceridade e súplica, nos quebrantando no altar do Senhor e deixando-O nos moldar ao Seu caráter para que as pessoas ao redor vejam Cristo em nós.


* AdmFabianaSommerfeldinistradora de empresas por formação, cozinheira por vocação, Fabiana Sommerfeld é membro da Igreja Batista Regular no Rio Pequeno, trabalhando como professora auxiliar na classe de Jovens II e como conselheira e discipuladora. É casada com Márcio Alessander.

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